segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Parenthood

Me empolguei (e muito) para escrever sobre Parenthood depois de um series finale lindo e com muitas lágrimas, assim como toda a série. Já aviso que tá cheio de spoilers para quem ainda não chegou nos finalmente.
Parenthood é uma série sobre a família Braverman, o casal Zeek (Craig T. Nelson) e Camille (Bonnie Bedelia) com seus quatro filhos: Adam (Peter Krause), Sarah (Lauren Graham), Julia (Erika Christensen) e Crosby (Dax Shepard), mostrando suas respectivas relações familiares, amorosas, profissionais e claro, problemas e muito drama (pegue a caixinha de lenços, sério!), e tudo sempre muito bem balanceado com personagens extremamente humanos.
Comecei a assistir Parenthood despretensiosamente, vi o elenco e a temática e pensei “ah vou assistir só por assistir, ver no que dá”, até porque tinha a Lauren Graham e estava ainda sou) órfã de Gilmore Girls, e sempre simpatizei com nomes como a Erika Christensen, Dax Shapperd, Sam Jaeger... 
O episódio piloto serviu mais somente como apresentação dos personagens, mas mesmo assim algo me mostrou que ia gostar da série, e foi o que aconteceu. 
Se colocar no papel tudo o que a família Braverman passou você chega a pensar, ahhh para meew, é impossível uma família passar por tantas coisas assim, mas o criador Jason Katims e a equipe de roteiristas fizeram de uma forma tão natural, sem forçar nada, tudo acontecendo a seu tempo, teve situações clichês, mas eles souberam não tratar como clichê.
O filho certinho Adam bem casado com sua primeira namorada, Kristina (a excelente Monica Potter), com dois filhos, a adolescente Haddie (Sarah Ramos) e o então pequeno Max (Max Burkholder, que pra mim tem tudo para ter uma carreira brilhante) que descobrem que ele tem Asperger's. Eles passaram por desemprego do Adam, Haddie e seu primeiro namorado sério, Haddie indo para a faculdade, Adam e Kristina tendo mais uma filha, Kristina tendo câncer (um dos momentos mais marcantes da série), concorrendo a “city council”, abrindo uma escola para crianças especiais, a Chambers Academy,... e ainda teve mais. rs
Já a Sarah no episódio piloto faz o caminho inverso e volta a morar com os pais pois não tinha mais condições de se sustentar, levando junto seus dois filhos adolescentes, a revoltada (pô ha nessa época ela era chata pra ca%$&*) Amber Holt (Mae Whitman) e o Drew Holt (Miles Heizer). Sarah trabalhou por um tempo como garçonete, nas primeiras temporadas vivia tendo problema com os filhos, namorou e depois noivou o professor de inglês da filha, que era mais novo que ela, Mark Cyr (Jason Ritter), escreveu, lançou peça de teatro, começou a trabalhar com fotografia, descobriu que era isso que gostava e acabou casando com o também fotógrafo Hank (Ray Romano).
A Julia tinha a família aparentemente perfeita, maridão Joel (Sam Jaeger) e a filha Sidney (Savannah Paige Rae), carreira de sucesso como advogada, enquanto o marido ficava basicamente em casa. Aí eles decidem ter outro filho, não conseguem engravidar, tentam barriga de aluguel, que decide não entregar mais o bebê no dia do nascimento, adotam uma criança já grande, Victor (Xolo Maridueña), tem todo o processo de aceitação da criança e um dos diálogos mais fodas fera da série em que Julia diz que parece que ela está esperando se apaixonar pelo filho, a cena linda no cartório quando oficializam a adoção do Victor, aí todo o drama depois que Joel começa a trabalhar, Julia se demite, Joel acha que ela está o traindo, sai de casa, se separam, e muitas lágrimas até que depois voltam a ficar juntos, e com mais crianças no caminho.
E o caçula Crosby trabalhava com música, não queria saber de compromisso sério, vida fácil, morava num barco e aí tem a vida mudada quando a ex-namorada, Jasmine (Joy Bryant), aparece com um menino de cinco anos, Jabbar (Tyree Brown), e que é seu filho. Começa todo o processo de amadurecimento, ele volta a namorar Jasmine, mas trai ela, terminam, depois voltam e se casam, tem uma filha, abre o The Luncheonette, passa por perrengues financeiros, mas depois tudo se acerta e Jasmine fica novamente grávida.
Todos esses “núcleos” centralizados nos pais Camille e Zeek, que também passaram por alguns dramas, Camille querendo aproveitar o mundo, Zeek querendo ficar em casa, Camille indo estudar artes na Itália, decidindo vender a casa em que criaram os quatro filhos, e depois todo o drama com a doença do Zeek. Achei tão lindo quando eles voltaram nesses episódios finais para a casa para ir buscar a bola de beisebol que Zeek queria deixar de presente para o bisneto, só o fato de ver os dois parados na frente da casa vendo outras crianças brincarem no quintal já te tira lágrimas dos olhos, como sempre.  
Bom isso aí é só um resumo rapidão do que aconteceu hehe

Uma coisa é certa, Parenthood foi a série que mais tirou lágrimas dos meus olhos, durante a série inteira, e não somente na última temporada. Pontos para um excelente roteiro e diálogos, e um elenco primoroso, que conseguia emocionar na mais simples das cenas. Pena que por não ser uma série tão “impactante”, não teve tanto reconhecimento. Todos os atores, todos mesmo, tiveram cenas difíceis e conseguiram entregar cenas emocionantes, desde a pequena Savannah, o adolescente Miles, até o veterano Craig.
Não vou conseguir lembrar e muito menos escrever aqui os momentos que mais chorei na série, mas alguns eu consigo, acho que a Monica Potter foi a que mais me fez chorar na série inteira. A cena em que a família toda está reunida após um jogo de beisebol do Victor e a Haddie volta da universidade ao saber que a mãe está com câncer, as duas se abraçam e choram na frente de todos, e esses sem saber o que está acontecendo, Kristina acaba contando a todos que está com câncer, a gente não escuta as palavras dela, mas o fundo musical e as expressões de todos os atores em cena te fazem debulhar em lágrimas, sútil e verdadeiro.
Outra cena que me secou foi quando a Kristina já recuperada do câncer vai se despedir da amiga que fazia tratamento com ela, Gwen Chambers (Rose Abdoo) - daí o nome da escola, e que não teve a mesma sorte na recuperação.
Quando assisti os primeiros episódios e via a Lauren Graham como Sarah Braverman era óbvio que comparava com a Lorelai Gilmore, ainda mais que ambas ficaram grávidas bem novas, mães solteiras e tinham filhas adolescentes, mas logo já consegui parar as comparações, a Lauren fez um ótimo trabalho como Sarah, um personagem indeciso, meio que inseguro, que foi amadurecendo e descobrindo o que queria da vida durante o decorrer da série. Por esses dias comecei a rever Gilmore Girls e a Sarah não tem praticamente nada da Lorelai, apenas aqueles olhos expressivos da Lauren.
A cena em que a Sarah pede para o Hank antecipar o casamento e se segurando para falar que queria ter certeza que seu pai estaria lá, não querendo falar que ele poderia morrer é de cortar o coração, ela mal fala mas você sente a agonia que isso causa. Outra cena que me marcou nessa temporada final foi uma bem simples, mas bem linda, Sarah vai visitar rapidamente a Amber, e a filha pede pra mãe ficar um pouco mais, e diz que está com medo da gravidez, acha que ter o filho pode ter sido um erro, Sarah tranquiliza a filha, pega o violão e as duas cantam juntas uma música em meio a lágrimas. (E pensar que a Sarah poderia ter sido interpretada pela Maura Tierney de E.R., nada contra, mas a Sarah é a Lauren! E até parece mãe da Mae).
Falando em Amber, foi o personagem que passou de uns que eu menos gostava para talvez o meu favorito (fico em dúvida com Camille), aquela típica adolescente I wanna be rebel, revoltada com a vida, com os pais, blablabla roubando namorado da prima, se metendo em m**** e ainda quase morrendo em acidente de carro, aí leva uma bronca do avô Zeek, e depois de um tempo começa a tomar um certo rumo na vida. Foi trabalhar, morar sozinha, trabalhou na campanha de um político com Kristina, se envolveu com o cara (que tempo depois virou um fdp rs), e aí conheceu o Ryan (Matt Lauria, ayyy <3), soldado que tinha voltado da guerra e passava por problemas, se envolveram, terminaram, ele teve um acidente, voltaram (ou não) e aí ela engravidou. Mas decidiu ter o filho sozinha, achei bacana isso, mostrou o amadurecimento dela, mesmo ainda tendo uma esperança de que o Ryan melhorasse e eles voltassem a ficar juntos. Até porque Amber e Ryan me parecia muito com Camille e Zeek, ela toda artística, mais cabeça, e ele um ex soldado que passou por problemas. Mas ok, bola pra frente rs. Amber além de ter as reações que mais gostava na série, foi o personagem que mais mudou visualmente e também em questão de amadurecimento, fiquei satisfeita com o final dela!   
Mais momentos:
As dancinhas: Ain't no party like a Braverman party!
Uma das minhas cenas favoritas (tô cheia de cenas, me deixa), quando Jasmine aceita finalmente se casar com o Crosby, numa cena de chuva!
Qualquer momento dos quatro irmãos juntos, conversando, zoando, dançando!!
Quando toda a família está junta no jogo do Victor e Ryan é apresentado por todos pelo Zeek, e Amber solta:
A cena em que todo o clã Braverman vai ao cartório na oficialização da adoção do Victor.
Amber e Ryan na praia.
Quando Joel sai de casa e os outros 3 irmãos vão na casa para fazer companhia a Julia.
A cena triste quando Joel e Julia estão conversando sobre a separação com o advogado, e Joel diz que não quer ficar com a casa, porque sem a família não é mais lar, a emoção que a Erika e o Sam Jaeger passam em cena é tremenda, e depois ainda se fecha com uma cena dos dois se abraçando no elevador.
O chá de bebê de Amber no hospital e cada uma das mães falando algo para ela.
Zeek e Camille conhecendo o bisneto e Amber diz que o nome é Zeek.

Relações:
A relação Adam/Crosby também foi um ponto bem interessante, Adam o exemplar, certinho, Crosby o caçula meio inconsequente, discussões, brigas seguidas por um discurso lindo de Adam no casamento de Crosby, abrem o estúdio The Luncheonette, que como Crosby era produtor musical era um sonho dele, e Adam desempregado e com experiência em administração, entra na sociedade. Um dos lugares mais bacanas de cenários de Parenthood (só perdendo para a primeira casa de Zeek e Camille, ahhh e o apê da Amber), empregam a Amber, fazem um certo sucesso e depois passam a ter problemas financeiros. Adorei a cena de Crosby, Adam e Amber vendo o Glen. 
Adorava a relação de Zeek e Camille com cada um dos filhos, as conversas de Camille com cada uma das filhas, ou do Zeek com cada um dos filhos. Nessa temporada final os momentos do Zeek com cada membro da família, como a conversa de quando a Amber diz a ele que está grávida, quando pede ajuda do Drew para programar a viagem para França com Camille (que ela acaba fazendo <3), quando fala para Joel correr atrás de Julia...
As conversas de Sarah/Julia, as relações de Hank/Max, Amber/Drew, Amber/Sarah, Camille/Kristina,...

O episódio final (spoilers), bem, o episódio final destroçou comigo, foi lindo e triste, mas tudo sem aquela forçação de “faremos você chorar”, não, foi sutilmente bem escrito e atuado o que dá um efeito bem mais emocionante. Ainda bem que assisti sozinha porque olha, cheguei a soluçar (rs), mas é verdade.
Já no início Hank vai pedir a mão de Sarah a Zeek, e Zeek fala que a filha foi uma professora pra ele na vida, que lindo. Depois numa cena só de Zeek e Sarah ele diz a filha que dos 4 ela é a sua favorita e pergunta se ele foi um bom pai, Sarah com lágrimas “The very best”!
Adam e Crosby põem um fim na sociedade no The Luncheonette, e cabe a Crosby dar a má notícia a Amber, mãe solteira e agora, sem trabalho, eita! Mas aí em mais um ótimo diálogo de Zeek com seus filhos, fala para Crosby que ele tem total capacidade de seguir em frente com o projeto sem o Adam, e assim, ele chama a Amber para ser a nova Crosby! hehehe
Julia e Joel voltam a terem seu happy end, e mais ainda, acabam adotando a meia irmã recém nascida do Victor, e pra fechar com chave de ouro, tem mais um filho.
Kristina contrata Adam para que ele trabalhe integralmente na Chamber’s Academy como diretor.
Só senti de um final mais específico para Crosby e Jasmine, mesmo que não precisasse, só pra encerrar.
A sequência do casamento de Sarah e Hank foi linda, toda a família reunida, Haddie retorna para soltar uma das falas mais lindas para o Max “I think you’re special and cool and weird and wonderful and the best brother.”,
Os filhos e netos todos reunidos tirando fotos e Zeek e Camille observando de longe “- We did good, didn't we, Camille? - We sure did!”.
E o discurso do best man Drew?! Coisa mais fofa, ainda mais com os olhos de Lauren Graham brilhando! E Zeek e Camille convidando Amber e o pequeno Zeek pra morar com eles, pô ha, meu coração! E sem falar que no casamento tocou Maybe I’m Amazed do Paul McCartney, pronto!
E meldels!! A cena derradeira! O que falar da cena que a Camille chama o Zeek e ele não responde, pensei “caramba, é agora, não tô preparada”, Camille volta a chamar e nada, ela encontra ele imóvel na cadeira, e pronto, lá vem o choro com soluços! Bonnie foi perfeita em cena.
E assim, não teve a berraceira da Camille chorando e nem uma cena triste de um funeral. Quando começou todo o drama do Zeek doente a gente já imaginava que no final ele morreria, mas ninguém queria, mas fazer o que, é o ciclo, e até que faz sentido, ele era a principal figura paterna da série, e seu personagem morre justo no final da série chamada Parenthood. (dã)
Aí sem uma cena triste de funeral, aparece a Camille jogando as cinzas do Zeek no campo de beisebol, com toda a família, como ele queria, intercalando com uma sequência linda mostrando o passar do tempo nas famílias (O Ryan com o filho e se dando bem com Amber e o atual namorado dela <3!!) e termina com um jogo feliz de beisebol com toda a família, como o Zeek pediu. E assim como no episódio Piloto, beisebol com toda a família no campo e a versão mais lenta de Forever Young tocando. <3
Eu assistindo o series finale!
Acho que Parenthood já me cativou também pela música de abertura, uma versão acelerada de Forever Young do Bob Dylan, e no vídeo imagens dos atores/personagens mais novos e a cena do jantar do piloto.
May God bless and keep you always 
May your wishes all come true 

May you always do for others 
And let others do for you 
May you build a ladder to the stars 
And climb on every rung 
May you stay forever young 

May you grow up to be righteous 
May you grow up to be true 
May you always know the truth 
And see the lights surrounding you 
May you always be courageous 
Stand upright and be strong 
May you stay forever young 
May you stay forever young

Adorei a edição e montagem das cenas, a forma como os diálogos aconteciam, não aquela coisa comum de série: um fala, termina, aí o outro fala, não, em Parehthood os diálogos eram mais reais, as pessoas falavam juntas, não deixavam o outro terminar suas frases e coisas do tipo, até porque a maioria dos diálogos eram em reuniões familiares aí já viu como é neh?! As câmeras sempre em movimento, tornando as cenas mais realísticas, aquele movimento de filmar o rosto do ator, dá um zoom nos olhos, aí um movimento para mostrar o que o ator está fazendo com as mãos.
A série também focou bastante na continuidade dos episódios, se você assistir o episódio piloto depois de ver o final vai ver certas ligações como quando a Sarah pediu desculpas ao Drew por não ter escolhido um melhor pai para ele e aí no final se casa com Hank que se mostra uma figura paterna bem presente pra eles. Ou o desespero de Adam e Kristina ao descobrirem que o filho tem Asperger's e no final como eles se dão bem com isso, felizes com a evolução do filho, se formando na escola, conseguindo trabalho de fotógrafo, dançando com uma menina. Tirando a mudança do ator que fez o Seth no piloto para a entrada de John Corbett.
As crianças e os adolescentes crescendo diante dos olhos dos espectadores, que sorte eles tiveram ao pegar por exemplo o Max, tão pequeno, para fazer um papel tão difícil e, cresceu e ficou ainda melhor!
A trilha sonora foi um personagem a mais nessa série, sempre com a música certa, muitas vezes tirando as vozes dos personagens para dar um tom mais sentimental ainda. Tocou muita música boa, conheci outras boas também, e no The Lunchenete rolou até o ótimo Glen Hansard e Cee Lo Green.

Deixei muita coisa de fora, aconteceu muita coisa nessa série, mesmo, souberam aproveitar muito bem as 6 temporadas com um roteiro rico, personagens queridos, situações realísticas, por isso que o final parece deixar um vazio grande. Claro que teve alguns pontos baixos da série, como do final da temporada 5 que achei meio fraco, o mimimi de Joel, na última temporada em que não apareciam todos os personagens e outras coisinhas. Mas o que fica é uma série extremamente tocante e linda, obrigada Jason Katims por nos apresentar ao clã Braverman. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Jorge Drexler: Bailando en la Cueva en Mendoza

Mais um post backlog finalmente sendo publicado!
Fotos minhas
17/05/2014 - Uma brasileira bailando ao som de um uruguayo na Argentina!
Já perdi dois shows do uruguayo Jorge Drexler, um por escolha própria, no Rock in Rio de 2011 deixei o palco Sunset de lado para ir direto ao Palco Mundo, enquanto esperava num baita sol carioca, Jorge Drexler e Tiê faziam um ótimo show por lá, pelo menos deu para acompanhar pelo telão. E em maio do ano passado tinha ingresso comprado para o show dele em Floripa, mas aí por falta de planejamento e por uns 3 congestionamentos na BR101, não conseguimos chegar em tempo em Floripa, desistimos em Tijucas. Aquele dia era preciso umas 5hrs para ir de Joinville a Floripa! :’(
Mas aí, eis que nas minhas “férias” em Mendoza, um dia tava num ônibus, que eu peguei sem saber onde deveria parar, ou seja, fiquei perdida rs, tive que aproveitar e ficar olhando as “paisagens”, quando vejo colado num muro posters do show do Jorge Drexler, justo enquanto ainda estaria lá. Fui atrás dos ingressos, ainda tinha, não para os melhores lugares, mas para um lugar até que bom, no primeiro setor ainda, e um preço até que razoável comparando ao que pagaria no Brasil.
Eu tô é ainda abismada que paguei R$7,50 de táxi, para ir e voltar!! Tá certo que o teatro onde foi o show era no mesmo departamento onde estava, mas mesmo assim, SP me deixou mal acostumada! E isso que a mulher da casa onde estava queria me levar (por essas situações que não consigo entender tanto ódio dos brasileiros com argentinos)!
O show estava marcado para as 22hrs no Teatro Plaza Godoy Cruz e por umas 21:30 o teatro foi aberto para ser lotado. Ay, já falei aqui que adoro essa tranquilidade que shows com lugares marcados me dão, tão “de boas”!
Percebi que tinha uns brasileiros um pouco atrás de mim meio que já do jeitinho brasileiro, fazendo escândalo, aí acabei ficando na minha mesmo, não queria pagar mico por tabela. rs
Confesso que o incidente de perder o show do Drexler em Floripa me fez ficar um bom tempo sem escutar as músicas dele. Lembro de colocar o Eco para tocar só uma vez desde maio de 2013, em abril de 2014 mesmo. Tanto é que ele lançou o disco Bailar en la Cueva e tentei bloquear hehe, já que sempre que ouvia me dava raiva por ter perdido o show. Só comprei o Bailar en la Cueva depois do show, lá em Mendoza mesmo. Ahh, em tempo, esse excelente disco da música latina foi indicado ao Grammy Latino de disco do ano, mais que merecido, passa por importantes ritmos latinos como candombe, cumbia, tango,... pura batida latino-americana e também foi o vencedor do prêmio de melhor disco “cantautor”, também mais que merecido, já que estamos falando de Drexler.

Sobre o Show 
O “baile” começa com a música título do disco e da turnê, Bailar en la Cueva, e com direito a já tradicional dancinha de Drexler e seus músicos antes de começar o show, a dancinha do vídeo de Universos Paralelos.
O setlist pra mim estava ótimo, só particularmente gostaria de ouvir La Edad Del Cielo ao vivo, mesmo ele não tocando essa há um bom tempo. Não lembro exatamente a ordem do setlist, e também não posso colar do SetlistFm já que não tem nada lá, mas como dizem, o que importa é a maionese e não a ordem das batatinhas, rs. E o que importa é que para deixar o show num clima mais amigável, no início de várias músicas, Drexler falava sobre alguma experiência pessoal ou contava uma anedota.
O setlist passou pelas músicas de Bailar en la Cueva, como a própria Bailar en la Cueva; Esfera; Organdi; La Noche No Es Una Ciencia Exacta; a música que está concorrendo ao Latin Grammy de melhor produção Todo Cae (produção de Eduardo Cabra do Calle 13); La Plegaria Del Paparazzo; Data Datos (data, data, data, data, data, data, data... todos quieren todo, todo siempre es poco); Bolivia (em que antes de começar contou a história de quando a sua família pediu asilo na América do Sul), aliás, no disco, Bolivia tem participação de Caetano Veloso; a excelente e vencedora do Latin Grammy de gravação do ano Universos Paralelos (que também concorreu a canção do ano); La Luna De Rasqui e também por importantes músicas da sua carreira.

Não lembro em qual música a bola de cristal que faz parte do cenário da turnê desceu (ou subiu, não lembro), só sei que o efeito foi ótimo.
Apareceu a genialidade de Guitarra y Vos, a música falada ou as palavras cantadas, tanto faz! Aqui com a participação do músico de Drexler, um espanhol, recitando uma poesia no meio da música com aquele prazeroso sotaque galego.  
Um cara na plateia berrou pedindo Al Otro Lado del Rio bem na hora em que o Drexler estava colocando a guitarra, aí ele fala algo como “como quieras”, tira a guitarra e canta Al Otro... a capella mesmo, da mesma forma como ele fez no lindo “discurso” pelo Oscar de melhor canção em 2005 por Diários de Motocicleta! Sabe aquele momento no show que levanta os pelinhos do braço?! Então, foi um desses momentos! Um momento precioso!!!
E esse clima entre amigos entre palco e plateia se manteve o show inteiro, assim aparentemente sem roteiro definido, até porque “es que la noche no es una ciencia exacta”.
Em Don de Fluir, que também surgiu no setlist por um pedido do público, mais um ótimo exemplo de como é divertido um show de Drexler, em “Gracias, pero no, no bailo” uma menina atrás de mim, já meio alterada, berra “MENTIRA!!”, e aí na outra parte quando ele canta “Los músicos no bailamos”, ele já dá um sorrisinho, pende a cabeça para o público para a menina soltar novamente o “MENTIRA!!” Acho que em qualquer outro show ficaria putassa se tivesse alguém bêbado na fileira atrás de mim fazendo “escândalo” num show desse tipo, num teatro, em que era proibido entrar com bebida e ela e o namorado estavam com cerveja, mas foi tão divertido e combinou tanto com o clima informal, amigável mesmo que o Jorge impõe no palco, impõe acho que não é a palavra certa, é deixar fluir mesmo, o maravilhoso dom de fluir. Me divertia cada vez que a menina soltava os “ayayayay” dela quando o Jorge ia dançar.
Do disco Amar la Trama de 2010 apareceram Las Transeúntes e La Trama y el Desenlace. Também deram o ar da graça Transporte, Caí creo que caí, Sanar, Luna de espejos e Deseo.
Acredito que foi na dançante Luna de Rasquí em que a bola de cristal voltou a subir (ou descer, de novo, não lembro). Tenho que citar aqui também o ótimo jogo de luzes verdes jogado no teto, ainda mais que o teatro, como o próprio Jorge disse, tinha forma de “cueva”, até ele mesmo ficou parado por alguns observando essa beleza.
Drexler apareceu no bis segurando uma taça, acredito que de vinho branco, ou espumante, não sei, não sou boa com bebidas (risos), para brindar e fechar essa noite, sem exageros, preciosa (sim, tô usando muito esse termo, mas fazer o que se é?!), a excelente Todo Se Transforma, numa versão um pouco mais “dançante”, e que cai como uma luva numa cidade tão famosa pelos vinhos como Mendoza: “mientras se pisaba el vino que bebió tu boca roja. Tu boca roja en la mía, la copa que gira en mi mano y mientras el vino caía…”
“Me haces bien, Me haces bien, Me haces bien…”

Jorge Drexler é um grande cantor, compositor (até Oscar já tem por isso), músico, toca ao melhor estilo Djavan e Caetano Veloso, daquele jeito de dedilhar a guitarra (nesse show foi só guitarra elétrica mesmo, nada de violão), e para fechar o pacote com chave de ouro, é pura simpatia no palco. E além de ser essa grande presença no palco, dá espaço para seus talentosos músicos também brilharem.
Justo no dia do show tinha feito um passeio da alta montanha que tem em Mendoza, e o resfriado que peguei na saída do show do LaOreja de Van Gogh continuava e aumentou depois desse passeio por causa da mudança de altitude, e se não tivesse o show, teria ficado hibernada no quarto sem fazer nada num sábado a noite, mas ainda bem que teve esse show, até consegui melhorar, não tem como não melhorar com momentos assim e de quebra vi um espetáculo delicioso e precioso! Uma excelente experiência musical, conceitual, que acredito que posso dizer íntima, entre amigos, dinâmica, visual, num jogo de luzes que se encaixa ao que se propõe, e que consegue mexer com nossas emoções, Gracias Drexler! 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

¡La Oreja de Van Gogh en Mendoza!

Depois de finalmente soltar os posts dos meus festivais preferidos no Brasil, é hora de finalmente falar sobre música espanhola.
Fotos minhas
15 de maio de 2014
Me ferro pra conseguir sair do interior de SC pra tentar ver shows em SP/RJ, imagina então pra tentar ver show nos países hermanos, tirando Juanes que foi um misto de planejamento e sorte, nunca tentei, principalmente por motivo $$, ir em shows de artistas latinos na Argentina, por exemplo.
Sempre tive azar com La Oreja de Van Gogh, uma vez estava em Buenos Aires e eles tocariam lá dois dias depois que fui embora, e naquela baita sorte de ir ao Rock in Rio Madrid, eles tocaram no final de semana anterior ao que fui. E claro, como praticamente todas as bandas espanholas que curto, nunca tocaram no Brasil (com exceção de El Canto del Loco).
Programei minhas férias para estudar espanhol em Mendoza na Argentina, confesso que escolhi Mendoza também por as vezes ter shows bacanas por lá, e acabei tendo uma baita sorte. Alguns dias depois, La Oreja de Van Gogh anunciou que faria show lá (Sem falar que também peguei show do Jorge Drexler, próximo post), fui atrás do ingresso, mas não tinha venda online e nem por telefone, deixei para comprar quando chegasse em Mendoza, uns 10 dias antes do show, cheguei num sábado a noite, no domingo quando iria atrás do ingresso, anunciaram no twitter que todos os shows da turnê na Argentina estavam com ingressos esgotados.
Conversei com mendocinos e eles me recomendaram a ir na frente do Auditório Ángel Bustelo que sempre tem alguém vendendo, cheguei uma hora antes, não tinha nenhum sinal de “vendedor”, fiquei por ali, até que chegou uma moça perguntando quanto tava o ingresso, falei que estava esgotado, e aí ela disse que tinha ingresso para vender, já desconfiei, disse que trabalhava ali e tinha ingresso para o setor de Invitación, um preço até que razoável pelo que achei que pagaria pra cambista. Dei uma choradinha pra ela, falei para não me vender ingresso falso, disse que não era dali, ela disse que o ingresso era original e que iria comigo até a entrada pra eu ter certeza da vericidade do ingresso, e ela fez isso mesmo, foi até quase onde entreguei o ingresso. O lugar não era o melhor, mas era o melhor que poderia conseguir pelas circunstâncias, como era no setor de invitación, não era lugar marcado, quem chegava primeiro, escolhia o seu lugar, como cheguei até que cedo, consegui um bom lugar.

O show estava marcado para as 22hrs, e nessa hora entrou no palco Lowrdez para um pocket show de abertura, bacana, mas nem prestei muita atenção nas músicas, só olhava para o guitarrista, que me lembrava o Rafael Cardoso. hehe
Mas teve um momento que me arrepiei nesse show, fizeram uma versão de La Ciudad de la Furia e dedicaram ao Cerati, que justamente naquele dia completava exatos 4 anos em coma. :’( Sdds Cerati!! Faz muita falta nesse mundo!!
Lowedez
Acho que LOVG é o único caso em que trocaram o(a) vocalista e que deu certo. Quando anunciaram que Amaia Montero sairia cheguei a pensar que a banda acabaria, porque a voz da Amaia é única, tão característica, as músicas de LOVG são o que são pela identidade musical da banda e vocal que a Amaia impôs. Pra mim seria como quando a La Quinta Estación anunciou o fim, não daria para continuar a banda sem a Natalia Jiménez. Mas aí por sorte do destino e competência dos que “sobraram” de LOVG, encontraram a Leire Martínez. Acredito que ela consegue dar ainda mais vida as músicas, e como um cara disse minutos antes de começar o show, a Amaia era “princesinha” demais no grupo, a Leire combina com o grupo. Aqui, vendo de fora, pra mim está um “casamento” perfeito, Leire aceitou essa baita responsa e está se saindo muito bem!
Não lembro exatamente quando comecei a escutar LOVG, mas já devem fazer uns 8, 10 anos, ou mais, não sei. Mas lembro que a primeira música que escutei foi Rosas, minha irmã colocava no quarto dela aí eu “pô, isso é massa!” e aí sempre tava querendo ouvir a música da “carita empapada” e depois conhecendo os discos.
E foi justamente Rosas que abriu o setlist, e que vem abrindo a turnê Primera Fila, aliás, um excelente setlist, claro que sempre fica uma ou outra que a gente adora de fora, mas acho que não mudaria quase nada. rs
Por mais que eu goste da organização e tranquilidade que um show com lugares marcados dá, é fodz complicado ficar sentada num show como o do La Oreja, só balançando o pézinho. Acho que foi já em Mi Calle es Nueva York que alguns se levantaram e já tava toda feliz pensando que o show seria em pé, mas logo eles tiveram que sentar :’(
Xabi e o Theremín
“Pensé que era un buen momento, por fin se hacía realidade”, ay 20 de Enero, para mim é praticamente um clássico já! rs. Aliás, por mim comentava todas as músicas, mas melhor não porque sempre me empolgo escrevendo e o negócio já tá meio grande.
Muito bom poder ouvir ao vivo Perdida, essa é daquelas músicas que diz muito para e por mim. Outro dos “clássicos” que apareceu foi París, coisa linda, e em seguida, mais uma que eu adoro Europa VII.
A linda Palabras para Paula, que foi feita em homenagem a filha do Haritz Garde é daquelas músicas que SE um dia eu tiver um filho ou filha eu vou colocar para escutar muito, e claro, terá um significado totalmente novo.
Palabras pra Paula                                                                       María
La Playa é daquelas para sair berrando e cantando com olhos fechados (rs) “y un día verás que este loco de poco se olvida”.
Mais um dos “clássicos”, a primeira música do primeiro disco, Dile al Sol, que recentemente já fez 16 anos (!!), El 28!
Teve a linda visita de María ao som do ukelele do Pablo Benegas, claro, sem a participação da Natália Lafourcade, mesmo preferindo essa versão em forma de dueto, ainda assim continua sendo uma linda versão.
Amo essa versão que estão fazendo de Deseo de Cosas Imposibles, um jeito “semi” acústico, com os 4 juntos e Haritz continuando na bateria.
É oficial: nunca chorarei num show, não chorei nos shows do Paul em Something e Here Today, nem em Turn no Travis ou The Universal no Blur, meus olhinhos só brilharam em Wake Up no Arcade e não chorei em Jueves, pra mim uma das músicas mais lindas! Feita em homenagem as vítimas do atentado aos trens em Madrid em 2004, serviu como a música que apresentou Leire como a nova voz da LOVG. Não sei como consegui gravar, mas depois do show do Juanes que me arrependo de não ter feito mais vídeos, nesse fiz mais. Ficou meio tremido porque olhava pouco para a câmera, e preferi filmar porque aí não cantava e não estragava esse efeito lindo que a música passa, só com o excelente piano de Xabi San Martín e a tremenda voz e interpretação da Leire.
Agora não lembro mais se foi em Muñeca de Trapo ou El Primer Día del Resto de Mi Vida que o povo finalmente se levantou, mas só sei que deveria ter sido assim o show inteiro. El Primer Día... além da parte animada com o coro do “ooôôoo” serve também como um banho frio para lembrar que logo o show acaba, já que encerra a primeira parte do show.
Foram tantas músicas no bis que perdi a conta, parecia show do Paul McCartney. A primeira do bis foi a mais nova no repertório, e também ótima, Pálida Luna.
“Quedate esta fria madrugada, quedate hasta que la luz me alba” olha, se durasse mais, eu ficava! Cometas por el Cielo é uma das que mais gosto nessa fase Leire, me passa uma sensação tão boa, “Y que pequenos nos veran, los que no volaron nunca”. Sem falar que a música permite a entrega do público com o “uuuôôô uuuôôô...”.
Com Pop o auditório foi tomado por um clima totalmente festivo e divertido (mais ainda).
O tom já de despedida não tira a energía que tem La Niña que Llora en tus Fiestas. Aliás, adoro a forma como a Leire finaliza as palavras como “Miramé” e também em várias outras músicas, forçando e alongando a sílaba final.
“Mi mundo empezando a temblar, presiento que se acerca el final” letra mais que perfeita para finalizar o show, e é assim que acaba, com a excelente Puedes Contar Conmigo, em um setlist também excelente! “y sólo quedarán los buenos momentos de ayer”
Os quase 20 anos de carreira do LOVG fizeram com que eu visse um dos melhores shows que já vi, sério. Pablo é incrível na guitarra, violão e ukelele, mesmo com aquele jeito que pra mim chega a ser tímido. Fantástico o som que ele consegue tirar desses instrumentos, principalmente quando você olha para o palco e não vê uma outra guitarra ou violão de acompanhamento. Xabi além de um excelente compositor, culpado pelos grandes sucessos do LOVG, é um grande pianista, que fica evidente em músicas como Jueves e em tantas outras da banda que ficaram tão famosas também pelo som característico do piano e teclado. Haritz e Álvaro Fuentes tem uma presença visual um pouco mais discreta, mas não musical. Leire é tudo o que já comentei acima, somando todos eles, dá uma qualidade fantástica de show, só senti falta dos violinos que tem nos cds e no dvd Primera Fila, mas mesmo assim, um show lindo, e a banda em excelente sintonia. Foi só com esse show que consegui diminuir a minha obsessão que estava com Arcade Fire após os shows no Brasil, precisava de uma nova obsessão. Só me arrependo por não estar com uma bandeira do Brasil, só para deixar uma marquinha de leve para eles neh. PQP, cadê essas produtoras brasileiras pra trazer essas bandas para o Brasil?!
Segundo as informações “oficiais” de divulgação, o show começaria as 10 e terminaria as 11:30, sabem de nada, inocentes! LOVG começou as 10:30 e terminou a 1hr, com um tempo muito bem aproveitado, num setlist para mim, perfeito!
Nesse meio tempo teve problema com as caixas de som do lado direito do palco, parando o show por uns quase 10 min, o que serviu para Leire trocar de roupa e pedir desculpas no jeito mais fofo do sotaque espanhol. Amei Mdza, o auditório ficava a 7 minutos a pé da casa onde estava, saí do show com uma pequena caminhada, sozinha, tarde de noite, pensando na ótima sensação do show. E até nem foi tão mal ficar meio que doente por uns 4 dias por causa do frio que peguei. rs
Xabi falando para Leire que terão que parar o show
Também não inventei de ir atrás da banda em aeroporto e hotel, primeiro por preguiça mesmo de ir atrás das informações, estar sozinha, sem os meus cds e também nem ia dar, essa cidade de Mendoza consumiu meu tempo de um jeito, acordava, ia para aula, saía pra fazer algo e quando via já era hora de ir dormir de novo.
Fico agora também com a lembrança da dona da casa onde estava, comentando num jantar com amigos dela que eu tinha ido ao show de La Oreja, e aí sob efeito do vinho, ela e as amigas ficaram cantando berrando Rosas. hauahaua

La Oreja volta para a América do Sul agora em novembro, inclusive passam novamente por Mendoza, mas claro, nada de Brasil, cadê gravadora e produtoras pra trazer esse povo hein??!!